Homem mata pai, madrasta, irmãs e sobrinho de 5 anos em bairro da Zona Sul de Juiz de Fora

Crime aconteceu na Rua Rita Monteiro, no Bairro Santa Cecília

Cinco pessoas da mesma família foram mortas na manhã desta quarta-feira (7) no Bairro Santa Cecília, na Zona Sul de Juiz de Fora. Segundo informações preliminares da Polícia Militar, um homem de 42 anos é suspeito de matar o próprio pai, a madrasta, duas irmãs e um sobrinho de 5 anos, que teria Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo a corporação, a suspeita é que o autor apresentava problemas psicológicos e estaria em surto no momento do crime. Ele foi preso no Bairro Santa Terezinha e encaminhado à Delegacia da Polícia Civil no mesmo bairro.

 

Os homicídios ocorreram no início da manhã na Rua Rita Monteiro. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado às 8h06 e, ao chegar ao local, a equipe médica constatou o óbito das vítimas. De acordo com os profissionais, as mortes foram provocadas por agressões físicas, com perfurações causadas por faca.

Em entrevista concedida no local, o tenente-coronel comandante do 27º Batalhao, Flávio Tafúri, da PM, informou que o suspeito saiu da casa onde mora, no Bairro Santa Terezinha, e chegou ao Bairro Santa Cecília por volta das 3h. Segundo a corporação, ao entrar na residência da família ele atacou inicialmente as duas irmãs, de 47 e 44 anos. Em seguida, a madrasta, de 63, também foi atacada.

Ainda de acordo com a PM, o homem foi até o quarto do pai, de 74 anos, onde a vítima também foi morta. Na parte superior do imóvel, ele atacou o sobrinho de 5 anos, que dormia no local. Após os crimes, o suspeito deixou a residência às 6h22 e retornou para casa por volta das 7h30.

Quem encontrou os corpos foi o irmão do autor, que também morava no mesmo prédio, no último andar da construção formada por três residências. De acordo com o relato à Polícia, ele encontrou as vítimas por volta das 7h30 e imediatamente acionou os militares. O irmão também disse que não ouviu nenhum barulho ou movimentação suspeita durante a madrugada. A Polícia Militar informou que uma entrevista coletiva será concedida ainda na manhã desta quarta-feira.

 

A investigação do caso ficará a cargo da Delegacia Especializada de Homicídios, comandada pela delegada Camila Miller, que também esteve presente no local.

Suspeito não tinha passagem

Com comportamento descrito como volátil, com alterações de humor e problemas psiquiátricos, a família buscava ajuda e tratamento para o suspeito desde o ano passado, mas o homem resistia às tentativas de acompanhamento. Ainda assim, ele continuava a frequentar eventos familiares, como o Natal, quando participou da celebração com parentes. O suspeito morava sozinho e não possuía passagens pela polícia.

Ele foi preso em seu apartamento em Santa Terezinha, distante a cerca de seis quilômetros do bairro onde ocorreu o crime. Quando a polícia chegou ao local, o suspeito não apresentou resistência e confessou o crime. O homem, porém, já tinha lavado a faca usada para cometer os crimes e estava no processo de lavagem também das roupas usadas nos homicídios.

Em seu relato, ele apresentou motivações conflitantes, alegando, entre outros fatores, questões relacionadas a dívidas. A PM informou que não é possível confirmar ainda se o suspeito possuía esquizofrenia, como vem sendo especulado.

Comunidade em luto

O homem de 74 anos, vítima do crime, foi pastor da Igreja do Nazareno Unidos em Cristo, no bairro onde residia. A congregação é atualmente liderada por seu filho, quem encontrou os corpos da família.

“Era uma família muito acolhedora”, disse um dos fiéis, emocionado, enquanto chorava em frente à residência. Uma jovem que também conversou com a reportagem afirmou que o pastor era comunicativo, sempre disposto a aconselhar e considerado um pai pelos demais fiéis.

Vizinhos e membros da igreja estiveram próximos à casa, diante da movimentação que reuniu policiais, equipes da imprensa e veículos de funerárias. Os moradores da casa da frente definiram a situação como um choque.

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